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fração | violinha de brinquedo | moto-perpetuo |
| casa | breve flama | autocrítica | |
| rua | fruto | à cores | |
| poema poento | máquina | expressão | |
| ser | derrame moral | metrópole |
Formas
milimétricamente
idênticas
em
cores
de
sensíveis matizes análogos.
Epifania:
santos
geométricos
nas
colunas
greco-invertebradas
repetem-se
ad infinitum
na
crença moderna
pós-tudo
o mais e o nada
nunca
na parede
de
concreto
símbolos
rabiscados,
civilizações...
Tudo
ao acaso, solto.
______ ::... voltar
É
clara a tua varanda,
e
a lua branca é fria.
Repousas
sobre a palha
enquanto
o fino sereno
umedece
as tuas plantas.
Não
ouves a cidade pétrea
nem
seus acúmulos de
anseios,
risos e lágrimas.
Apenas
deixa-te um tanto,
uma
parte alheia, tranqüila.
É
certo que não te ausentas
tristemente
em covardias,
somente
dá-se um pouco
a
ti mesmo, humildemente,
impunidade
e redenção.
__________ ::.... voltar
...agora
sai e vê as coisas.
apressa
o passo...
...a
tua pressa inimiga.
apressa
o passo...
...olha
breve e não vê.
apressa
o passo...
Cansado,
voltas desatento
ao
teu sono de feto no ventre,
da
tua cama quente e áspera.
_________
::...
Da
cinza ao homem,
o
pó
pop
patético.
A
pá de vento,
lentamente,
cobre
o tempo
poente.
Tênues
partículas secas,
pairando
pudendas,
sobre
o novo pleito
de
Adão.
______ ::.... voltar
O
que pareço
para
além
de mim
não
é
o
importante.
Se
pareço
com
o que
certamente
não sou,
quem
percebe?
Sou.
E
ser já é muito.
______ ::... voltar
Um
dia nascido,
e
junto dele um menino:
Pedro,
Paulo,
José,
João
?
Era
manhã de Domingo.
Salve,
salve gurizinho !
Reizinho
de quintal
de
terra,
de
batuquinho na panela
de
ferro.
Salve,
salve rei menino !
Vão
cantando passarinhos,
vai
crescendo o menininho,
dele
é o fruto mais docinho.
Violinha
de brinquedo,
tilim
- tilim - no cantinho,
as
cordinhas vão vibrando
na
ponta dos seus dedinhos.
______ ::... voltar
A
flama frívola e breve
apaga-se
sem aviso,
como
se não houvera,
mesmo
antes de ser, era.
A
flama frívola esconde-se
nas
arestas incandescentes
dos
corações empobrecidos,
fingindo-se
chama infinita.
De
tal flama nascem
os
amores noturnos,
que
não resistem a luz
do
astro que queima.
A
flama frívola é fraca,
calor
quase inexistente,
flama
que não importa,
perda que não se sente.
______ ::... voltar
verde:
mata?
amarelo:
prata?
azul:
raça?
branco:
passa.
______ ::.. voltar
Era
o invento
palavra
tempo
o
antigo ócio
fez-se
lamento
Máquinas
prontas,
em
movimento...
______ ::... voltar
O
que tenha saciado
o
negativo concupiscente,
em
perdas de consciência,
resvala
a fétida moralidade.
O
que tenha restado puro
nas
paredes coaguladas
do
cérebro libido em gosma,
será
lavado em água limpa.
O
pecado, se há, é negar-se.
O
demais é o arrependimento,
é
a verdadeira penitência,
que
trás o verdadeiro perdão.
______ ::... voltar
Falta
um gesto,
um
sinal.
Em
teus leves ombros
de
ereta figura feminina
um
resto daquela areia
branca
e virgem, repousa.
E
mesmo todo aquele mar
de
dias corridos, avança.
Em
tua clara fronte
de
feições imprevisíveis,
há
uma intenção ferina.
Mas
o que me falta nega
uma
existência permanente
em
gesto, matéria e sentimento:
-
Pois que não há o moto-perpétuo.
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Nenhuma
mácula mórbida
do
pensamento máquina
fará
feliz o manancial
de
fracas frases inúteis.
Basta-me
o fardo ancho
do
falastrão infecundo
em
pleno ato indecente
de
enferrujada falácia.
Falta-me
o que a todos falta:
calar um tempo.
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Palavra
colhida de dentro
pelas
mãos de uma criança:
colocada
à um canto até
que
amadureça por si só.
E
mesmo o sol pela janela
a
ilumine em certa hora
fazendo
suar seu envoltório
que
se refresca em seguida.
Palavra
descascada:
sumo
doce e esperado.
Saciedade
de qualquer desejo.
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Descobrir-se
assim:
auto-expressionista,
inventor
de si mesmo;
de
cânticos outros,
coros
de ninfas ruivas
e
palavras paridas:
garatujas
de ontem
______ ::... voltar
Metrópole - . . . . . .
extraído
da obra de carlos leite
"fraturas
urbanas"
panorama
da metrópole contemporânea 2001
retalhos
da cidade
[colcha]
de
tecidos vários:
.norte.
náilon.....
.sul.
seda...........
.leste.
lona.........
.oeste.
organdi...
tantos
outros
.em
ordens
tantas
.em
tantos
outros
.em
ordens
tantas
.
. . . . . . . . . .
______ ::...
Os poemas acima, escritos entre 1999 e 2001, são de autoria de André Merez -